Na manhã desta quarta-feira (29), pelo menos 50 terroristas foram mortos em um confronto com as Forças Armadas de Moçambique e do Ruanda, na província de Cabo Delgado.
O embate ocorreu durante a madrugada, na região de Limala, próxima a Mbau, no distrito de Mocímboa da Praia.
Durante a operação, que teve início nesta madrugada, as forças armadas recuperaram diversos tipos de equipamentos e materiais bélicos. Esta informação foi confirmada pelo Presidente da República Filipe Nyus, durante a inauguração da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Maputo.
As operações nas matas continuam, com os terroristas em fuga e sem mantimentos, conforme relatado por uma fonte confiável das FADM.
Dados do conflito e as causas
Desde o início de 2024, a população de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, enfrenta uma nova onda de violência, com combates entre os terroristas e as forças de segurança em várias cidades costeiras.
Em consequência, cerca de 100.000 pessoas fugiram das suas casas entre o início de fevereiro e o início de março, incluindo mais de 61.000 crianças, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). O conflito na província dura há sete anos e resultou em cerca de 780.000 pessoas deslocadas desde o início do conflito armado em 2017.
O terrorismo em outras paragens de África
O cenário é semelhante no leste da República Democrática do Congo (RDC), onde cerca de sete milhões de pessoas estão em fuga. O exército congolês e os seus aliados lutam principalmente contra o grupo rebelde M23. De acordo com os números da ONU, pelo menos 250.000 pessoas fugiram do conflito no espaço de um mês.
Os grupos terroristas em África estão cada vez mais interligados e podem reagir cada vez mais facilmente aos avanços das forças de segurança. Zonas particularmente remotas como o norte de Moçambique estão indefesas face a jihadistas fortemente armados.
A especialista moçambicana em segurança Egna Sidumo, partilha desta tese. "Há uma grande ligação entre vários grupos terroristas a nível da região. Não há dúvidas de que Uganda, Tanzânia e muito provavelmente a RDC, agora com muito mais ênfase, têm combatentes a atuar em Moçambique. Inclusive há relatos de que existem combatentes até da África do Sul, que fazem parte dessa ideia de ter um Califado na Costa Suaíli, da qual Cabo Delgado e Moçambique obviamente faz parte", afirmou.
Por: Mido dos Santos