O problema não é o jornalismo angolano.
O problema é o comportamento de alguns jornalistas angolanos.
Há quem já não vá ao campo. Não porque não haja histórias, mas porque dá menos trabalho copiar. Sentem-se mais confortáveis a replicar textos de sites terceiros do que a enfrentar a poeira das ruas, as fontes difíceis, os “não posso falar” e os riscos reais da apuração.
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| © Jornalista multimédia Mido dos Santos lança fio de reflexão ao jornalistas |
O campo cansa.
O copiar e colar rende cliques.
Alguns transformaram o jornalismo num jogo de velocidade: quem publica primeiro, mesmo sem confirmar, mesmo sem estar lá. Mudam títulos, cortam parágrafos, apagam assinaturas alheias e chamam isso de produção própria. Não é. É preguiça embrulhada em pressa.
O comportamento repete-se: pouca verificação, nenhuma fonte no local e zero responsabilidade sobre o impacto da informação.
Depois reclamam da falta de credibilidade da classe.
Mas credibilidade não se pede — constrói-se.
E constrói-se no campo, ouvindo pessoas reais, vendo com os próprios olhos, errando e corrigindo quando necessário.
Felizmente, nem todos são assim. Ainda há jornalistas angolanos que saem, apuram, questionam e resistem. São esses que mantêm o jornalismo de pé, mesmo quando o chão treme.
Criticar este comportamento não é atacar a classe.
É tentar salvá-la.
Porque quando o jornalista abandona o campo, o jornalismo perde a alma — e passa a viver apenas de cópias.

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